O site The Intercept Brasil revelou, em publicação nesta quarta-feira (27), que o governo federal, sob gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, espionou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e também corretens do Partido dos Trabalhadores (PT). FHC foi presidente do Brasil entre 1995 e 2002.
A reportagem de Paulo Motoryn indica um “monitoramento obsessivo” do então governo contra o MST e o principal líder do movimento, João Pedro Stédile. Os relatórios foram produzidos pela Subsecretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), órgão que substituiu o Serviço Nacional de Inteligência na ditadura. Atualmente, o setor passou a ser a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Narra o Intercept que a reportagem encontrou mais de 121 relatórios de inteligência que tratam especificamente do MST, um monitoramento que durou 5 anos do governo tucano. Os documentos indicam, por exemplo, que a SAE usou agentes infiltrados e informantes em atividades do MST espalhadas pelo Estado brasileiro.
Um dos relatórios, de 1996, menciona, também, a interceptação de comunicações internas do MST. Outro documento, de 1998, aponta o risco de que o acesso por pessoas alheias à SAE comprometeria a fonte “irremediavelmente”.
Nos anos FHC, houve episódios violentos que atingiram o MST. O mais conhecido foi o Massacre de Carajás, em abril de 1996. Na época, 21 trabalhadores rurais foram assassinados no sudeste do Pará. O grupo ia até Belém, em protesto pela desapropriação de uma fazenda, quando foram interceptados por policiais militares. Ao todo, 19 foram mortos no local e, depois, outros dois no hospital.